Curitiba
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Quando se fala em advogado, muitos pensa num sujeito engravatado e útil para iniciar uma “briga na justiça”. Porém, antes de ser um espalha-brasas judicial, o advogado é um profissional treinado para a nobre arte de conciliar.

A conciliação pode ocorrer antes ou após iniciado um processo judicial, pois o Código de Processo Civil incentiva os advogados e magistrados a buscarem a conciliação a qualquer momento.

A tramitação de um processo é quase sempre demorada e desgastante. Ou seja, um motivo a mais para se conciliar. Afinal, diz um velho adágio, “mais vale um mau acordo que uma boa demanda”.

A ferramenta do advogado são as palavras e seu ofício é resolver problemas. Assim, este profissional é habilidoso para expor fatos e argumentos, e desenvolve técnicas para amainar ânimos e demonstrar prós e contras de cada situação. Se tiver paciência para ouvir, então, torna-se um poderoso antídoto contra desentendimentos.

No direito de família esse espírito se revela fundamental. Vejamos o caso de uma cliente que veio ao escritório anunciando divórcio. Pedimos para ela contar o caso com detalhes. Após ouvi-la por uma hora, eu disse não ter certeza de que ela queria realmente o divórcio e não faria nada, além de ouvi-la, antes de estar convicto. Na hora ela me olhou com espanto, mas dois meses depois, quando finalmente tinha amadurecido sua decisão, disse ter apreciado a serenidade com que conduzimos a situação.

Outro exemplo: o marido não aguentava mais o comportamento da esposa e queria sumir no mundo. Contou-me seu calvário, em consulta de duas horas. Na segunda consulta percebi que ele, apesar de tudo, amava a esposa. Era prematuro pensar em divórcio. Convidei-o a vir com ela ao escritório na esperança de resolver ao menos em parte a problemática. Pedi para ele se referir a mim como um conciliador, evitando a palavra advogado— aquele sujeito engravatado e útil para iniciar uma briga na justiça.

Em tempo: o título desta nota é uma homenagem ao escritor Euclides da Cunha, para quem “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”.