Curitiba
R. Marechal Deodoro, 630 (Shopping Itália), cj. 1504

O Pedrinho Drosófila, que recebeu esse apelido por ser magro e zoiúdo, perdeu um dente da frente – incisivo central, em ‘odontologês’ – e correu ao consultório da doutora Akemi, na Praça 18 de março, em Tibagi, para providenciar reposição. A doutora, recém-chegada de Maringá, colocou uma prótese e acertou com o paciente o pagamento em vinte parcelas mensais.

         Ele pagou as três primeiras e deixou a dentista a ver navios. Até que um dia, tempos depois, a doutora Akemi estava em frente ao consultório e avistou o inadimplente do outro lado da rua. Chamou-o, disfarçando a contrariedade com um sorriso forçado.

         — Que bom que você apareceu, Pedro, tá bem na época de fazer a tua revisão. Venha, tô com tempo livre agora. 

         Constrangido, sem desconfiar do real intento da dentista, o integrante da ordem dos dípteros entrou no consultório. Doutora Akemi o anestesiou e removeu o pivô.

         – Tua prótese vai ficar aqui comigo – avisou a doutora. – Depois que você terminar de me pagar, eu coloco de volta. E suma daqui.

         É Tibagi mais uma fez criando tendências. Desta feita na seara histórico-jurídica, ao adaptar a Lei de Talião – aquela do olho por olho, dente por dente – a um contrato celebrado sob a égide do Código Civil. E até onde se saiba, foi a primeira busca e apreensão de chapa dental da história do Paraná.