Um célebre adágio diz que a advocacia é a arte da palavra. Nada mais verdadeiro. Uma das principais habilidades do advogado, no entanto, sobretudo numa área que envolve emoções como o direito de família, é a disposição para ouvir o cliente. Ouvir com atenção e genuíno interesse para saber os motivos que o levaram a um escritório de advocacia. Ouvir atentamente para fazer novas perguntas em cima das respostas obtidas até entender completamente o caso.
Pode parecer estranho, à primeira vista, ser tão valiosa uma habilidade equivalente à inércia, ao não fazer nada. Nos tempos atuais, porém, a disposição para ouvir alguém é cada vez mais rara, seja nas relações pessoais ou profissionais. Faça um teste: quando estiver conversando com familiares ou amigos, perceba quantas vezes você é interrompido ao contar, ou tentar contar, uma história que tenha a mesma quantia de palavras que três ou mais parágrafos de texto.
Técnicas utilizadas em psicanálise e terapia cognitiva são úteis para o advogado ajudar seus clientes a lidar com os problemas na área da família. Não se está de modo algum afirmando que o advogado faz as vezes de um terapeuta ou psicanalista. É inquestionável que estes profissionais têm mais capacidade para investigar a psique humana. Mas o advogado que tem noções dessas ciências está mais apto a fazer as pessoas entenderem melhor o calvário que estão atravessando – o que atenua suas dores.
Dominar a arte do silêncio também é útil para os advogados na redação de suas manifestações e, mais ainda, nas salas de audiência. O advogado objetivo e conciso, que manifesta apenas o necessário, sem malabarismos que serviriam apenas para mostrar sua suposta língua de prata, granjeia mais facilmente a simpatia do juiz.
Pausa também é música, tanto quanto o silêncio também é comunicação. Bem-aventurados os que interagem profissionalmente com advogado cientes disso.