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Doutor Lesêra, o advogado inoperante

Qualquer pessoa razoavelmente bem informada sabe que os advogados são vítimas de piadas ácidas, que acentuam suas supostas ganância, picaretagem ou desonestidade. Sim, infelizmente há advogados assim. Mas também há muitos que honram a confiança depositada por seus clientes e muitas vezes fazem trabalhos de relevância social e atendem gratuitamente os necessitados. A fraqueza de caráter é da espécie humana, não é monopólio de nenhuma categoria profissional.

         Entre os advogados que não honram a confiança de seus clientes, existe uma subespécie de profissionais que não são desonestos, nem picaretas ou gananciosos. Mas acabam, do mesmo modo, prejudicando seus clientes ao agir com excessiva lentidão — ou não agir.

         O mais ilustre representante dessa categoria é o doutor Lesêra Lesando. Um escravo da preguiça que, assim, lesa boa parte da sua clientela. Os lemas do dr. Lesêra são “nunca deixe pra amanhã o que você pode fazer mês que vem” e “prazo é que nem ônibus: se você perde um, logo vem outro”.

         Muitas vezes o dr. Lesêra sente a necessidade de sentar sobre a procuração outorgada pelo cliente e chocá-la durante vários meses até finalmente protocolizar a inicial. Os mais inflamados chegam a dizer que se ele fosse o curador de um frango congelado, o bicho escaparia voando.

         E assim vive nosso causídico: prejudicando seus clientes, deixando-os com raiva ou trauma de advogado e desperdiçando oportunidades de extrair autorrealização dessa atividade fundamental para a humanidade.

         Pior que o dr. Lesêra, só mesmo o dr. Estelio da Silva Nato, mais conhecido como Estelio Nato. É aquele que solicita mil reais ao cliente para pagar custas judiciais que não passam de duzentos. Ou que ganha a causa e leva meses para repassar a parte do cliente, quando repassa. Entre outras falcatruas.

         De nossa parte, seguimos nos esforçando para nunca sermos tachados de leseira e trabalhando às claras para jamais nos acusarem de sermos Silva Nato.