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Meio polícia

Terêncio tinha acabado de chegar à Ventania, município dos Campos Gerais paranaenses. Já tinha morado em vários estados brasileiros e exercido diversos ofícios. O melhor foi o de segurança da famosa dupla sertaneja Teodoro & Sampaio, quando adquiriu o costume de andar armado. “A gente é meio polícia”, explicava ele, como se fosse possível.

         Certa noite, o meio polícia ouviu a cachorrada latindo fora de hora e foi à janela averiguar. Viu um indivíduo pulando o muro de uma casa próxima. Ele pegou o revólver e saiu em direção à casa. Nisso encontrou os dois policiais militares da cidade, que perguntaram se ele estava armado e para onde tinha ido o meliante. Terêncio respondeu sim e que o ladrão tinha saltado o muro da casa em frente. Os policiais disseram para ele pular o muro, que iriam logo atrás. Terêncio estranhou a ordem, todavia acatou. Ao pular o muro, viu o fugitivo saltando para a casa vizinha e apontou para os policiais, que gesticularam para ele ir na frente. Dessa feita Terêncio questionou, falando baixo. “Os senhores estão com colete a prova de balas e eu não, os senhores são da polícia e eu não, será que o correto não é os senhores liderarem a busca?”

         Contrariados, os policiais tomaram a frente, pularam para a casa ao lado e em seguida para a rua, onde o indivíduo se rendeu. Terêncio voltou para casa, orgulhoso por mais uma missão bem sucedida em sua carreira de semipolicial e foi guardar o revólver. Antes abriu o tambor para conferir a munição e estranhou ao vê-lo vazio.

         Comentou o fato com a esposa, que esclareceu o mistério para o meio polícia meio armado: como tinham recebido a visita do irmão dela com o filho de seis anos, achou prudente tirar as balas do treisoitão e guardá-las longe do alcance da criança.