Houve um tempo em que a polícia tinha bem menos trabalho nas cidades do interior do Paraná. Em Tibagi não era diferente.
Certa vez foi preso um rapaz por tráfico de drogas, que assumiu o delito no lugar de seu irmão, menor de idade. Preso na delegacia de Tibagi, o rapaz volta e meia recebia visita de seus amigos na delegacia, muitos deles de tradicionais famílias locais. Até que um deles sugeriu ao delegado fazer um churrasquinho no pátio da delegacia num sábado ao fim da tarde. Para surpresa da turma, o delegado concordou.
Providenciaram uma churrasqueira portátil, carvão, filé e cerveja. Bastante cerveja. Do churrasco participaram o delegado, o escrivão, meia dúzia de amigos do rapaz preso e o próprio. Consta que o churras na delêga foi realizado diversas vezes ao longo do ano em que o rapaz cumpriu pena.
Outra vez essa mesma turma foi acampar no Horto de Tibagi, onde aconteceria um rodeio. O evento começava oficialmente sexta às 17h e terminava domingo no mesmo horário. Mas quinta à noite a turma já estava lá acampada e permanecia até segunda de manhã.
No domingo a noite, os forasteiros que haviam participado do rodeio, certamente exaustos, estavam dormindo em seus acampamentos esperando raiar o dia para cair na estrada. Paranaenses de outros municípios, catarinenses, gaúchos, pantaneiros etc. Melhor dizendo, tentavam dormir, pois a cantoria e a gritaria no acampamento da turma eram tantas que não havia quem conseguisse.
Até que a polícia apareceu e foi conversar com a turma. Em cidade pequena todo mundo se conhece, e os dois policiais que atenderam a ocorrência eram amigos de infância de vários dos bagunceiros.
Foram recebidos com um bom pedaço de filé no pão e uma coca gelada, já que não poderiam beber.
Enquanto os policiais se refestelavam alguém lembrou que a cerveja estava acabando. Dois integrantes da turma, o Merenda e o Ricardo, pediram achave da viatura para ir à cidade buscar mais uns quatro engradados.
Os policiais disseram que não poderiam emprestar a viatura mas o Merenda não quis nem saber e já foi entrando na viatura e dando a partida. Um dos policiais ainda tento gritar “só não me liguem a sirene, piazada” mas era tarde. Ricardo já tinha feito a sirene soar duas vezes.
Para tranquilidade dos tibagianos, vale informar que pouco tempo depois ambos os policiais entregaram os distintivos. Um deles dedicou-se ao comércio e o outro foi aprovado em concurso para professor.