Numa tarde de 1958, chegou na antessala do gabinete do deputado Guataçara Borba Carneiro um senhor vestido à inglesa — bengala, luvas e chapéu. Foi recebido pelo chefe de gabinete, um jovem tibagiano, estudante de direito, que implicou de cara com a empáfia do visitante e decidiu fazer do momento uma obra-prima da arte da implicância, aplicando contundente chá de cadeira. Após uma meia hora, notando sinais de impaciência do pomposo personagem, perguntou:
— Então, cidadão, quais são seus cuidos?
A resposta ríspida:
— Eu sou o Dr. Lauro Fabrício de Mello, excelentíssimo desembargador vice-presidente do Tribunal de Justiça, e quero falar com o Guataçara.
O rapaz entra na sala do tio Guata com as mãos na cabeça, parecendo o Dirceu Borboleta, quase infartando:
— Acuda, tio Guata! Eu dei um chá de cadeira no homem e ele é vice-presidente do tribunal.
* * *
Numa ocasião, outro desembargador aguardava o tio Guata. O chefe de gabinete, à falta de melhor assunto, saca esta:
— O senhor, que é meio advogado, me diga uma coisa…
Desnecessário dizer a reação do desembarga.