Por que o mundo está cheio de artistas
Encerrando a seleta de pérolas do juridiquês, que muitos definem como uma praga que assola a humanidade, começamos com a diarista que avisou estar procurando um emprego fichado — também conhecido como emprego com carteira assinada ou registro em carteira. Da seara trabalhista vem outra pérola clássica: o aviso breve. Também conhecido como aviso prévio.
Visitemos o processo civil. Você já deve ter assinado uma procuração, ou ao menos escutado essa palavra. Na procuração vão especificados os poderes concedidos a outra pessoa. Um deles é o poder para transigir, ou seja, realizar uma transação, um acordo entre as partes. Pois bem: numa procuração que circulou por WhatsApp a parte concedia poderes para transar. Convém esclarecer que a ética proíbe tal tipo de relacionamento entre advogados e clientes na vigência da relação profissional. Em vez de transar, o que se pode é conceder poderes ao advogado para transacionar.
Alguns profissionais do direito também escorregam, ao errar significados e estraçalhar o estilo. A exemplo de um advogado que acusou o ex-marido de sua cliente, na audiência do divórcio, de ter torrado o dinheiro da família em viagens e lazeres.
Por último, o triste episódio da estagiária que não sabia como justificar um parecer. Ainda mais que a chefe o considerara ótimo. Após alguns minutos de agonia, a estagiária abriu o coração: “Doutora, a senhora pediu para eu justificar o parecer mas explicamos tudo, não vejo o que mais justificar.” A chefe tinha pedido apenas para alinhar o texto à esquerda e à direita (o bom e velho ctrl+J).