O produtor rural Alaor Taques Filho avisou o pessoal da fazenda, em Ventania, que tinha compromissos na vizinha Tibagi e voltaria no fim da tarde. Ao sair, foi alcançado na corrida por um técnico agrícola. Esbaforido e acabrunhado, o técnico explicou:
— Seu Alaorzinho, sabe o que é, meu piá andou fazendo besteira e tá preso no Tibagi. Mais envergonhado ainda, pediu: — O senhor não pode ir lá ver se tá tudo bem com ele?
Encerrada a agenda profissional, Alaor passou no supermercado, na farmácia, visitou os tios Zezito e Regina, e finalmente foi à delegacia.
O escrivão mandou chamar o garoto. Este logo apareceu na recepção da delegacia e conversou brevemente com o Alaor, na presença do escrivão, que não se deu o trabalho de sair da sua mesa e lhes dar um pouco de privacidade. Alaor perguntou se ele já tinha feito uma tatuagem com caneta Bic, se tinha recebido ficha cadastral do Comando Vermelho – não perdeu a oportunidade de usar seu senso de humor para quebrar o gelo.
— Seu Alaorzinho, tá tudo tranquilo, o pessoal aqui é bacana, a comida é boa, tem chuveiro de água quente.
— Chuveiro de água quente?! – indignou-se o escrivão.
— Ô, cabo, venha cá. — E resmungou:
— Já mandei cortar esse negócio, será que ninguém me respeita nessa m$%$# !