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Tibagianos bons de audiência

O famoso e peculiar cidadão tibagiano Antonio de Jesus Taques, mais conhecido como Tonho, foi testemunha de uma demanda referente a uma briga de bar que tramitou no fórum de Tibagi. Na hora do depoimento, o juiz, fez a testemunha prestar o protocolar compromisso de dizer somente a verdade. O Tonho dramatizou:

        — Doutor João, o senhor sabe que eu só digo a verdade. E da caneta de juiz não sai tinta, sai sangue.

         Os presentes caíram na gargalhada, inclusive o juiz.

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       Em outra audiência, desta vez em Castro, o Tonho foi testemunha de um processo trabalhista, em favor de um ex-colega. Respondidas as primeiras perguntas, a juíza quis saber como ele conhecia tantos detalhes do trabalho do empregado. Ofendido com a suposta desconfiança da juíza, Tonhão perguntou:

        — A senhora sabe quantos quilômetros tem daqui a Tibagi?

        A juíza estranhou a pergunta e disse que não sabia. O próprio Tonho respondeu.

        — São 60 quilômetros. E a senhora acha que eu, com 65 anos nas costas, vou viajar essa distância pra vir mentir pra senhora?

        Questionado se a argumentação havia colado, o portador desse causo me respondeu: “Não sei. Mas decerto a juiz desistiu de questionar o nego véio”.

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        Algumas décadas antes dessa audiência em Castro houve um caso em Tibagi que teve como testemunha um tio do Tonho, o saudoso garimpeiro Sezefredo Novaes Taques.

        Na audiência, o juiz perguntou o que ele sabia sobre o caso. Não se pode afirmar se foi por orientação do advogado ou ideia própria, mas ele deu a seguinte resposta:

        — Não sei, não vi e ninguém me contou — disse o Sezefredo, decretando o fim da audiência.

        Tal resposta se incorporou ao dialeto tibagiano, usada até os dias atuais quando se quer dizer “não sei de nada”.