Além de advogado experiente, o saudoso Jorge Bittencourt era conhecedor da história de Tibagi e grande contador de causos. Aí vai um de sua saborosa coleção.
Quando atuava como procurador do Município de Tibagi, Jorge algumas vezes ficava além do expediente na prefeitura para dar conta do serviço. Certa feita deixou tarde da noite o Palácio do Diamante, sede do executivo municipal. Ao sair, avistou o guardião da praça em frente, que veio em sua direção.
— Boa noite, doutor. Eu preciso me divorciar, queria saber se o senhor lida com essas coisa.
Jorge disse sim e o orientou a procurá-lo em seu escritório no dia seguinte. Antes disso, porém, o causídico fez duas ou três perguntas para não deixar a prosa tão lacônica.
— Vocês estão separados faz tempo?
— Faz anos, doutor.
— Têm filhos?
— Temo cinco, mas tão tudo criado.
— E têm bens?
— Eu não tenho, mas ela tinha uns par de bem. Inclusive foi com um desses bem que ela me guampiô — informou o guardião, adiantando o motivo do divórcio.
Meses depois, sob o patrocínio do doutor Jorge, o infortunado vigia passou a ter um bem: ficou para ele a modesta casa da família.