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Lua de mel no xilindró

No começo de sua carreira de magistrado, nos anos 1960, na comarca de Londrina, o falecido professor e desembargador Antônio Gomes da Silva foi celebrar um casamento civil. Preparando-se para o início da cerimônia, notou que o nome do noivo era idêntico ao de um réu foragido condenado por homicídio, e mandou o escrivão conferir no cartório criminal o CPF do réu. Chamou a atenção do professor Antônio o fato de réu e noivo terem o nome de seu pai, Altino Gomes da Silva.

         O escrivão voltou e confirmou se tratar da mesma pessoa. O juiz chamou os pais da noiva e explicou-lhes reservadamente a situação. Informou a possibilidade de realizar o casamento, mas o noivo sairia dali para a cadeia. Os pais da noiva, mesmo assim, decidiram prosseguir.

         O professor Antônio realizou a cerimônia e logo após mandar o noivo beijar a noiva, proclamou:

         — Eu vos declaro marido e mulher. E o senhor está preso.

         Alguns presentes chegaram a rir, por certo achando que o juiz fazia galhofa com o fato de o casamento ser uma espécie de prisão. No entanto, a aproximação de dois policiais militares, um deles segurando algemas, debelou esta possibilidade.

         Ao ver o marido algemado, a esposa desmaiou. Não se sabe se por vergonha ou pelo adiamento da noite de núpcias, que naquela época ainda guardava especial sabor de ineditismo para boa parte das moças.