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Lobo em pele de graxaim

No fim dos anos 60, o Paulo Ernesto e seu irmão receberam do prefeito de Ponta Grossa, Plauto Guimarães, amigo do avô deles, a incumbência de providenciar três lobos-guarás para o zoológico da cidade. O ingênuo prefeito pagou a eles adiantado — uma grana preta, como se dizia à época.

         Paulo Ernesto teve ideia para uma falseta, prontamente aceita pelo irmão: colocaram armadilhas na fazenda deles, pegaram três filhotes de graxaim — animal pertencente à mesma família dos lobos, porém menor —, e entregaram ao prefeito. Com os bolsos cheios foram pra Camboriú curtir o Whiskadão e outras boates numa legal.

         Na volta, três semanas depois, a mãe informou o Paulo: “A polícia veio aqui, estão à cata de vocês.” Paulo e o irmão acharam melhor sair de circulação por uns tempos e se mandaram de Ponta Grossa naquele dia, indo se refugiar na fazenda de um primo onde nunca faltava churrasco e bebida.

         O doutor Plauto não sabia o que mais o emputecia: se era os lobos-guarás não crescerem, a traição dos netos do seu amigo ou a galhofa do povo pontagrossense, que logo soube da falseta.