Décadas atrás, o então presidente da Câmara Municipal de Inácio Martins chamou o comandante da Polícia Militar do Paraná para uma audiência pública na qual pediu a substituição dos dois policiais militares do município. Com a presença dos vereadores, do comandante, dos dois policiais e de vários cidadãos na câmara martinense, o presidente acabou se empolgando e transformou a audiência em um pequeno comício, pegando os PMs para cristos. E pôs-se a desfilar uma série de reclamações.
— Senhor Comandante da Polícia Militar do Paraná, em nome do bravo povo martinense eu agradeço imensamente sua vinda aqui. Nós nos sentimos prestigiados com tão ilustre presença. Porém o motivo dessa reunião é que o policiamento em nosso município infelizmente está muito ruim.
Começou a explicar, apontando os policiais:
— O fato é que esses dois policiais não trabalham direito, não atendem a população, são omissos… enfim, não atuam em prol da segurança da nossa gente. Só para o senhor ter uma ideia, esses dias teve um rodeio aqui na cidade. Eu fui lá prestigiar o evento com minha amada família e vi esses dois militares jogando truco e bebendo cerveja, em flagrante desrespeito à corporação e ao nosso povo, pagador do salário deles.
E prosseguiu com várias críticas e denúncias. Finalmente chegou a vez de os policiais se manifestarem. O primeiro deles:
— Senhor comandante, quando o presidente da câmara diz que nós somos omissos, em parte ele tem razão. Mas a partir de amanhã não vamos tolerar mais piá de menor dirigindo pela cidade, dando pau de Pampa — disse, referindo-se ao filho do presidente. — A partir de amanhã não vai acontecer mais isso, senhor comandante. Se tiver menor dirigindo, vamos prender.
O outro policial liquidou a fatura:
— E tem mais uma coisa, senhor comandante: uma noite dessas, nós flagramos um certo vereador praticando atos libidinosos com a atendente do Correio na estação do trem, atrás dos vagões. Ao nos avistar, ele saiu correndo mas nós sabemos quem é, porque ele deu um cheque de presente pra menina e nós apreendemos o cheque.
E concluiu:
— O senhor tem razão, presidente, nós tínhamos de ter prendido esse safado — referindo-se ao próprio chefe do legislativo municipal.
O presidente da Câmara, vermelho, encharcado de suor e ciente que todos sabiam das suas fornicações, não se fez de rogado. Bateu na mesa e disse enfático:
— E tinham mesmo.